Caminho do Coração

Caminho do Coração


Há uns 20 anos atrás, o Dalai Lama veio pela 1ª vez ao Brasil.

Tive a oportunidade de ouvir este grande homem numa palestra na PUC de São Paulo.

Nesta palestra, dirigida aos acadêmicos e estudantes, o Dalai, de maneira muito simples explicou o que ele entendia como espiritualidade.

Ele disse:  “espiritualidade é um coração amoroso”.

Sua Santidade desenvolveu a ideia ainda um pouco mais, dizendo que estávamos ali num templo do saber (a universidade), onde todos buscavam e produziam conhecimento, mas, disse ele, cabe ao coração, à espiritualidade determinar como este conhecimento será usado.

Sabemos todos que o conhecimento, em si mesmo, é neutro.

A consciência espiritual, ou a ausência dela, em quem detém o saber, é o fator que determina a maneira como este conhecimento será usado.

 

Conhecimento é poder

A consciência espiritual usa o poder do conhecimento para o benefício do maior número possível de seres.

A consciência espiritual usa o conhecimento para curar, no sentido mais amplo desta palavra.

A consciência espiritual usa o conhecimento de forma a favorecer o pleno desenvolvimento e evolução de todos.

Na ausência desta consciência o poder acaba sendo exercido pelo indivíduo, corporação ou nação, de forma egoísta e insensível, visando o domínio do outro em benefício próprio.

Todos nós sabemos o que isto significa, a situação na qual nos encontramos e para onde este tipo de poder nos levará!

Creio que somente o desenvolvimento da consciência espiritual poderá nos salvar de nós mesmos.
A simplicidade cristalina desta fala do Dalai Lama tem sido, desde então, uma bússola para mim: caminho espiritual é o caminho do coração: amoroso, inclusivo e empático.

Cada vez mais inclusivo. Cada vez mais empático. Cada vez mais amoroso.

No Caminho Espiritual importam menos as crenças religiosas, os saberes complexos ou os conhecimentos ocultos.

O que importa mesmo é o coração!

Percebo o Caminho Espiritual como um processo de expansão gradativa da nossa capacidade de amar: amar a si, amar ao outro, ao próximo e ao distante. Amar as plantas, as pedras, os rios, as montanhas e os animais. Amar também as coisas.

Resgatar um sentimento de mundo que é universal entre todos os povos indígenas: a Terra, o planeta em que vivemos, é a nossa Mãe.

Reaprender a amar este planeta como se ama uma Mãe generosa, que merece o nosso amor, respeito, carinho, generosidade e gratidão.

Esta Iniciação e as outras, que vieram depois dela, me ensinaram que a expansão do coração não para por aí.

…somos filhos do Universo…

Sempre, em caso de dúvida ou medo, podemos perguntar:

“Este caminho tem coração?”*

Se tiver coração, é o Caminho.

 

* assim dizia Don Juan, Xamã e Mestre de Carlos Castanheda.

Autor

O Caminho Espiritual sempre foi meu foco de interesse na vida adulta: estudo, reflexão, meditação, autoconhecimento, crescimento e transformação pessoal. Partilhar o que encontramos nesta jornada também é uma exigência do Caminho. Por isto estou aqui.