A cola de tudo

A cola de tudo


 

 

Os meses que se seguiram à Iniciação foram muito especiais.

Os encontros com Serafim aconteciam em versos!

 

A cola de tudo

Meu coração dói

Há alguns dias sinto esta dor

Assim

Olho bem dentro dele

Peço ajuda

Para entender e dissolver

Esta dor que está em mim

 

Bom dia filha!

Estou aqui

Para mais uma lição:

O que será esta dor

Alojada em seu coração?

 

Filha!

Esta dor é a ternura

Que não consegue se expressar

Não encontra o caminho de cura

Está presa!

Amarrada!

Dela vamos tratar

 

Esta malha que tu vês

Azul/esverdeada

Minha querida!

É energia concentrada

O que impede, querida

Que esta energia se expanda?

Ganhe o mundo

Espalhando

Pra todo canto

Bonança?

O que impede que assim seja

É o que veremos nós:

O que a contem é uma bolha

De cola

E nisto tu não estás só!

 

Esta bolha grudenta

Mantem contida a energia pura

Quanto mais tentas soltar

Mais te gruda a criatura!

 

Mas o que é isto, Serafim?

Grito já desesperada

Que campo minado é este

Que me dificulta a estrada?

 

Serafim ri de soslaio

Querida, o que é que tem

Que gruda, mela e adere

Solta e volta

(nhem nhem nhem)

Serafim ri

 

Olhe bem e veja, agora,

O que ocorre em teu coração:

Uma bolha azul/dourada

Com a cor do açafrão

Envolve toda esta gosma

Agora

 

Com total delicadeza!

– Se queres aderir,

Vamos aderir!

Com certeza

 

Então vamos aceitar

O tempo que o Tempo dá

Vamos relaxar no Tempo

Aceitar e abençoar!

 

Se o tempo quer existir

Não há porque ao tempo se impor

 

Tempo oh Tempo!

Possas existir

Contanto que sejas de Amor

 

Aos poucos

Uma luz dourada

Vai se tornando encarnada

Dourada encarnada

Verde azul

Encantada

 

Filha!

Se tens que existir no tempo

Que ele seja teu amigo

Deixe que o Tempo te diga

Aquilo que agora te digo

Você sabe que Eu não existo

Por isto ficas aflita

Querendo que o tempo

Faça

Querendo que o tempo diga

Aquilo que te diz

A tua alma bendita

 

Mas o tempo, que não existe

Tem lá seus objetivos…

 

Te ensinar a ser e fluir

Para fora de mim

-Para isto existo!

 

Esta coisa grudenta

Que te solta e te traz de volta

Sou Eu

 

Em tua consciência…

Atuando

Para que não vás embora

– É aqui que tens que ficar!

No tempo e além do tempo

Aqui!

Em toda hora e lugar

 

Como as asas da águia

Que se movem docemente

Levando…tão alto no céu

Buscando o Criador

Que abre um espaço em seu véu

Rasgando suavemente o véu protetor

 

Aí dentro encontras

Um mundo

Que as asas abriram

Em luz e beleza

 

Asas que continuam batendo…

E abrindo,

Com toda certeza

Como é teu mundo agora?

É aqui e também lá

(tenha esta clareza)

Está dentro e está fora

 

A cada batida da asa

Mais se expande o seu mundo

Força do coração

Batendo, batendo

Profundo

Esta é tua vida, xamã

Este é o teu mundo

Estar lá estando aqui

Sendo imenso e

Diminuto

 

Para isto precisas da cola

E de todo este vai e vem

Para que tu fiques e vás

E seja o que o mundo contem

Tu te deves deixar ir

Para nada e para lugar nenhum

Sabendo que para onde vais

Não te espera conhecimento algum

 

Apenas a experiência

De nada ir buscar

Apenas se dissolver

Em todo e qualquer lugar

 

Isto é o que te espera xamã

Ser imenso e diminuto

Fazendo parte do todo

Fazendo parte de tudo

 

Isto, xamã,

Te dará

Um novo entendimento do mundo

 

Mundo que é muito diverso

De como entendias o mundo

 

Será que tu podes aceitar

Este caminho

Esta estrada?

Estrada que contém tudo

Estrada que não leva a nada

 

“Nada que imaginavas

Que um dia iria encontrar”*

 

Caminho, estrada

Que dá em qualquer parte

Em todo e qualquer lugar

 

Ei xamã!

Deixe a dor de querer compreender

Alargue, xamã

Expanda!

Nada precisas conter

 

Expanda!

Se expanda, querida

Sempre e cada vez mais

Sabendo que a cola bendita

De novo reunirá

Todos os fiapos e chispas

Do teu ser

Nesta hora e lugar

Que é onde tu estás agora

Sempre esteve e estará

 

No seu coração és inteiro

A águia está a guardar…

Abrindo suas asas

Abraçando o mundo inteiro

Recolhendo sua energia

E então fechando o selo

Estas asas te transportam

E te protegem também

De onde estás

Vá e volte, xamã!

Ficando onde estás

Sem querer nada

Viajando entre os mundos

 

Apenas desfrute, xamã

Deste viajar vagabundo

 

O prazer

(quando tu aprenderes)

O prazer te ensinará:

Que aquilo que se busca

Nos encontra

Quando paramos de buscar

Nota:
*Parafraseando Gilberto Gil

Autor

O Caminho Espiritual sempre foi meu foco de interesse na vida adulta: estudo, reflexão, meditação, autoconhecimento, crescimento e transformação pessoal. Partilhar o que encontramos nesta jornada também é uma exigência do Caminho. Por isto estou aqui.

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