Travessia

Dia 1

Travessia


Começo a Meditação do Dia muito angustiada.

Peço ajuda.

Imediatamente começo a recordar uma vida passada. Mais especificamente, o seu momento culminante: estou num píer. Há um pequeno barco atracado.
Um grupo de guerreiros invadiu a aldeia onde eu vivia. Todos foram mortos ou aprisionados. Eu consegui escapar e estou neste píer. Posso pular no barco e fugir.
Titubeio. Demoro.
Os invasores chegam e me matam!
Vem à minha consciência o entendimento da situação. Titubeei porque a vida que eu vivia em minha aldeia era muito boa. Éramos um povo pacífico e próspero.
Demorei para pular no barco porque estava apegada àquela vida boa (que de fato já não mais existia).
Na Meditação me é dito que agora, na vida atual, a mesma situação se coloca novamente: a vida que vivo é boa, mas este ciclo chegou ao fim.
Pulo no barco em busca do desconhecido ou fico no píer (onde minha alma morrerá)?

Ouço: Também agora estás no píer. Não titubeies querendo manter um “estado bom e conquistado” porque o que te espera é a Terra do Resplendor.
Pula no barco e faz a travessia. Sem medo. Confia em ti!
Deixe para os invasores aquilo que agora é deles.
“Entrega as tuas armas para os sucessores do teu espírito”.
Sem rancor, sem dor.
O que te espera é mais: é a Terra do Resplendor.

Vês? Titubeastes em entregar o que de fato já era deles.
Ficastes apegada a um passado e rancorosa pelos novos donos.
Donos legítimos do teu antigo estado.
Entendes agora que não eram usurpadores? Eram a nova força da vida em sua transformação.
Tu que deverias ter seguido adiante.
Não foram eles que te roubaram do teu passado.
Foste tu que te roubastes do teu futuro!
Chegou o tempo do perdão-transformação.
Perdoa a ti mesma e perdoa teus sucessores.
Tempo de seguir adiante!
Segue e vá!

Pulei no barco e fui.
Levado pelas águas, o barco foi, fez uma curva e chegou à outra margem, muito, muito distante.
Ancorei, desci do barco e me vi sozinha, sem arma ou ferramenta, sem nada, enfim, diante de uma mata bem fechada.
Pensei: sempre haverá Aroni a me guiar!
Imediatamente percebi o redemoinho de Aroni* e fui seguindo a direção que ele me indicava. Cheguei a uma aldeia indígena.
Uma aldeia num outro plano de Luz.
Me lembrei de Mãe Jaciana* que me disse um dia:  “às vezes você vai muito longe, né? Até pensa que está louca. Quando for assim, me chama que eu vou com você”.
Chamei!
Imediatamente a vi como uma indiazinha muito jovem, que me tomou pela mão.

Esta aldeia é a aldeia dela.
Lá chegar é chegar para aprender.
Deixar para trás toda esta forma de viver que tenho vivido (o trabalho no consultório, as idas semanais a São Paulo e outras coisas mais) e me abrir. Assumir a minha mediunidade e me abrir para este contato e para a aprendizagem daquilo que estes Seres de Luz tem para me ensinar.
Aprender a ouvir.
Viver nesta aldeia.
Deixar tudo para trás.
Esta aldeia é a Terra do Resplendor!

Já está em tempo de eu saber que eu sei para onde vou quando durmo.
Já está em tempo de eu me lembrar de todas as visitas que já fiz a esta Aldeia de Luz.
Esta Aldeia Iluminada que quer nos iluminar com a sua Luz.

Que esta Aldeia Iluminada possa chegar mais pertinho do meu chão.
Que o meu chão se eleve mais um bocadinho para diminuir a distância.
Que estas terras (dimensões) possam se encontrar e se comunicar no meu coração.
Que estes Lemurianos, sábios e puros humanos, possam nos inspirar e nos instruir.

Mãe Jaciana! Me dê a sua mão nesta travessia. Fique ao meu lado.
Pule comigo no barco da travessia na minha vida concreta e material.

– Ninguém vai só num Barco!
Mãe Jaciana vai comigo e comigo também estão muitos Seres de Luz: Espíritos da natureza, na força dos Orixás. Elementais do Fogo, da Terra, da Água e do Ar.
Dentro da maravilhosa Aura de Proteção, luz e energia do Grande Deva do Lugar. (Deva do Grande Ilê de Aroni*).

Não há como estar fora de Deus!
Dentro de sua força, graça, luz e consciência, seguindo o nosso destino…
Lá vamos nós!

 

NOTAS

  • Aroni na Mitologia Yoruba é um espírito da natureza companheiro do Orixá Ossãe, que é o senhor das ervas.
  • Aroni costuma ser sincretizado ao Saci Pererê do nosso folclore. Os dois tem o redemoinho como atributo e tem uma perna só. Como as árvores.
  • Ilê de Aroni é o nome da pequena chácara onde vivo.
  • Grande Ilê de Aroni é a dimensão espiritual do Ilê de Aroni. Muito mais vasto que o Ilê, que é seu núcleo e coração pulsante.
  • Mãe Jaciana é uma entidade espiritual que incorpora em uma médium de uma Casa Espiritual da qual faço parte.
  • Uma ocasião, há algum tempo atrás, sem que eu lhe dissesse coisa alguma, ela me falou: “as vezes você vai muito longe. Pensa que está louca! Quando isto acontecer, me chama que eu vou com você”. Chamei e ela veio. Obrigada Mãe Jaciana!

Autor

O Caminho Espiritual sempre foi meu foco de interesse na vida adulta: estudo, reflexão, meditação, autoconhecimento, crescimento e transformação pessoal. Partilhar o que encontramos nesta jornada também é uma exigência do Caminho. Por isto estou aqui.

2 comments

  • Feliz em obter todos esses convites e acessos espirituais.
    Grata por me identificar à um local de tamanha sacralidade,paz e amor.
    Meu coração bate na mesma ressonância. Com luz.
    Lúcia Harumi

    Responder
    • Querida Lucia, muito obrigada pela sua visita.
      Sem dúvida estamos juntas neste caminhar.
      Há muitos anos já!
      Luz e paz.
      Beijos
      Malu

      Responder

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