Quem eu sou?

Dia 11

Quem eu sou?


 

Sento para meditar. Fecho os olhos e imediatamente estou no branco.

Cheguei a ele através de uma abertura do coração.

Tudo é branco. Tudo é paz.

Não há nada para se ver além do branco.

Deixar que este branco me envolva e me pacifique.

Deixar que este branco me penetre e me transforme num ser branco também.

Entrar em sintonia com o lugar.

Ser branco.

 

Um raio de luz me perpassa vindo do mais alto em diagonal.

Sei que é o Xamã novamente. Atuando agora de uma outra forma.

 

Ele me pergunta quem eu sou.

Respondo que não sei.

Ele diz que é por isto que eu vim para cá.

Para poder me aproximar e entrar em contato com a minha Essência.

 

Esta luz que o Xamã sopra sobre mim, é uma luz-vento que produz redemoinhos em minha forma de luz.

Do ombro direito em direção ao “osso” do quadril esquerdo, esta luz me divide.

Ela muda de cor e trabalha a parte inferior do meu corpo.

Com seu cachimbo, ele suga matéria escura do meu corpo.

Estou mais luminosa agora, mas ele continua a sugar.

De alguma maneira também começa a tocar a flauta e a dançar.

É bom e alegre.

Ele é dois. Um que suga e outro que toca e dança.

Vem um forte sentimento de gratidão pelo que ele está fazendo por mim e também pelo muito que estou recebendo!

Penso emocionada que a vida me pede pouco em troca.

Ele dança em círculos em torno de mim e isto vai criando ao meu redor, um cone energético que espirala para cima.

O movimento da kundaline em mim, se intensifica.

Agora há dois cones: um sobe e outro desce.

Sinto os dois movimentos ao mesmo tempo.

O cone que desce, vai se alargando e se abrindo, como se fosse um leque. Abre-se completamente e junta suas pontas abaixo (temos um círculo!).

Sinto meu coração se expandir e ir em direção ao vértice do cone que sobe.

Serafim me diz para prestar atenção agora!

É como se eu fosse uma flecha. Que se move em câmera lenta.

Não sei se eu ou algo se explode em mil pedaços.

Ao mesmo tempo: é algo dentro da minha cabeça e também um planeta fora de mim.

Neste ponto a vibração é muito intensa.

Sinto que uma “força” puxa o resto de mim. É como ser naturalmente sugada por um vácuo.

 

Ah! É bom!

Não sei o que é, mas é bom!

Penso: será assim que os planetas e o vazio do espaço se sentem?

É muito bom! Não sei coisa alguma!

Viajar pelo espaço sem forma…

Ah! Serafim!

Como é boa esta sensação.

Permaneço nesta sensação por algum tempo.

 

De repente, me lembro da águia.

Animal do meu espírito.

Estou sobre ela agora.

Estamos voando pela imensidão.

Eu sou a águia!

Somos este espaço, que é um Ser (fico muito emocionada ao entender/saber isto).

Como é bom ser águia no coração!

 

A águia que eu sou costura algo no meu coração. Algo que desce pela minha coluna abaixo.

Olhando melhor, percebo que é uma escada. Que desce e que permite descer.

Desce, desce, desce muito. Para bem fundo, dentro do coração da Terra.

interior de caverna

Estou dentro da Terra. Sigo por túneis que levam a um grande salão interior.

Há um rei e uma rainha sentados em seus tronos.

Eles me saúdam:

“Parabéns xamã. Você chegou até aqui”.

Sei que sou o salão (do meu coração), o rei, a rainha e o espaço.

Tenho vontade de perguntar para eles: para que vim até aqui?

Eles me dizem: “você veio para vir…

Para experimentar”.

Para saber que eu posso e quem eu sou.

Me vem um pensamento divertido: no meu coração tem um rei e uma rainha que respondem perguntas! Me dizem quem eu sou.

 

É muito bonito este salão vermelho dourado. É imenso, muito alto. O chão totalmente coberto por um tapete vermelho.

Os tronos são dourados. O rei e a rainha estão luxuosamente vestidos, como se vestiam os reis de antigamente.

 

A forma me acalma. O sem forma me encanta!

 

Pergunto: Quem eu sou?

Ao perguntar sei a resposta: “Você é tudo o que existe”.

Isto me traz paz e relaxamento.

É como ter chegado em casa, finalmente.

É como ter voltado para o ventre da minha Mãe (me vem que estou em sua vagina).

Penso: porque a gente esquece disto?

 

Neste momento sinto os bicos dos meus seios vibrarem.

Será que algum bebe quer mamar?

Dois fios de luz saem dos bicos dos meus seios. Uma luz vibrante e clara.

Isto me traz muito conforto!

Os fios de luz se juntam.

O leite de luz pinga em uma cuia que vai se enchendo e é oferecida a mim.

Bebo este leite de luz que é meu e é da minha Mãe, porque eu sou ela e ela está dentro de mim.

É um fluxo ininterrupto de leite e mel que me alimenta.

Sei que sempre estará aí para me alimentar.

É uma sensação absolutamente boa!

Eu Sou Luz.

 

Vem à consciência: hora de voltar pra casa.

Casa? Qual é minha casa? Aqui é minha casa! Eu sou minha casa!

Fico momentaneamente muito confusa.

 

Hora de voltar!

Parece que uma fumaça entra pelo meu chacra frontal e as baforadas se espalham pela minha aura.

Demoro um pouco para entender que deve ser Serafim com seu cachimbo me trazendo de volta.

Minha consciência vai retornando pouco a pouco ao lugar branco.

Estou no branco e novamente o raio diagonal me perpassa.

gelo

 

 

Serafim está ao meu lado e sorri.

“Fizemos mais um passeio”.

Ele ri e pergunta se quero ter o meu corpo de volta.

Deveria rir também, mas não sei rir.

Ele me diz que eu vou aprender! E ri.

Estou sobre os restos da fogueira onde o branco começou. Ver aqui

Ele me diz para usar/vestir minhas roupas de pele.

Está tudo gelado.

As peles farão bem para mim.

Me vejo totalmente vestida de pele e também tenho um cocar.

Não é tão grande quanto o de Serafim, mas eu já tenho um cocar.

Ele diz para eu pegar meu arco e flecha.

Ele tem sua flauta. O cachimbo está enfiado no cinto.

Caminhamos por uma passagem coberta de neve até um abrigo.

Há fogo lá dentro.

Uma lareira está acesa. Dentro da cabana está quente.

Há uma cama.

Ele diz para eu me deitar e aproveitar o calor e a calma do fogo.

Ele vai cozinhar feijão para nós.

Deito e penso: feijões!

É tudo o que precisamos!

 

Sei que é hora de voltar para os meus afazeres no outro plano de realidade, onde habito.

Dou uma última olhada para o eu vestido de pele que agora está dormindo…

Serafim pisca para mim e eu volto em silêncio.

 

 

Autor

O Caminho Espiritual sempre foi meu foco de interesse na vida adulta: estudo, reflexão, meditação, autoconhecimento, crescimento e transformação pessoal. Partilhar o que encontramos nesta jornada também é uma exigência do Caminho. Por isto estou aqui.