Gratidão

Dia 13

Gratidão


 

Sento para meditar e me pergunto se estou em conexão com Serafim.

Ouço: “Sim. Nós estamos juntos e já é hora de sair deste campo gelado.

Vamos terminar de comer os nossos feijões porque temos muito a fazer ainda.

Pegue seu arco e flecha, vamos agradecer a esta cabana viva que nos acolheu, ao fogo e às salamandras que trabalharam conosco e seguir o nosso caminho”.

Abrimos a porta da cabana e o que vemos do lado de fora não é mais o campo gelado.

É um mundo de muitas cores. Cores diferentes daquelas que eu estou acostumada a ver.

Sei que meus animais estão comigo e o cipreste também está em mim.

Vamos para o centro de uma mata com árvores vermelhas, amarelas e azuis.

Chegamos a uma clareira.

Há muitos seres ali.

Vejo índios, Caboclos, guerreiros, pessoas em trajes de antigamente… *1

O sr Ogum Sete Ondas também está aqui. *2

Estão nos aguardando para que se inicie um ritual.

Serafim saúda a todos. Saúdo também.

Conheço a maioria dos seres que aqui estão. Alguns não tem propriamente uma forma humana, mas não são aquilo que a gente chama de animais.

 

Uma fogueira que está no centro da clareira é acesa ritualmente por Serafim.

Ele saúda o fogo e todos nós o saudamos também.

Sei que faremos um ritual de Alegria e Gratidão.

Telepaticamente Serafim me diz que estou tão triste e tão pesada, que ele precisou convocar todos os meus amigos e todos os meus guias para me saudar e me salvar.

Fico muito emocionada com isto. Choro enquanto escrevo.

Não sabia que tanta gente assim gostava de mim e trabalhava por mim! Choro de gratidão.

Choro muito. Todo o meu corpo se sacode com este choro. Meu corpo físico chora também.

Serafim me diz que eu precisava chorar este choro para liberar em todos os níveis de todos os meus corpos, toda a tristeza e dor do não reconhecimento.

Vejo muito, muito mais gente chegando de todos os lados, de todas as direções. Todo tipo de gente e de seres.

Serafim me diz que este é um “ritual oficial” de reconhecimento. E ri.

Rio também (estou aprendendo a rir).

Ele diz que todos estes seres foram beneficiados por mim em todas as minhas vidas: passadas, presente, futuras ou paralelas.

Alguns reconheceram e retribuíram estes benefícios recebidos: neste momento alguns seres se manifestam acenando.

Outros não reconheceram na ocasião, mas estão reconhecendo agora: neste momento, uma grande parte dos seres presentes acenam e sorriem.

Percebo que estão felizes por poder retribuir com o seu amor o amor que um dia receberam de mim.

Há também aqueles que receberam o meu amor mas que por ignorância ou maldade, me prejudicaram.

Estão num grupo coeso de cara amarrada, esperando o meu perdão. Este grupo tem mais ou menos o mesmo tamanho do primeiro grupo (os que retribuíram na ocasião), mas não acenam em resposta.

Na sequência, todos nós que temos o coração leve, vamos enviar amor e perdão para este grupo.

Estamos alegres em fazer isto!

Penso: o que foi, foi. Ficou a aprendizagem.

Peço a todos que antes enviem amor para mim, para que eu, nutrida por este amor, possa perdoar a mim mesma e perdoar também aos outros (o grupo de cara amarrada).

Uma grande onda colorida de Luz Arco Iris me envolve completamente, me penetra e impregna todo o meu ser com esta maravilhosa e multicolorida luz.

arco iris

Esta luz também se dirige para o grupo de cara fechada e o envolve completamente. Cada uma das pessoas deste grupo, é completamente envolvida e impregnada por estas lindas cores.

Alguns, a maioria, ficam muito leves e felizes e flutuando deixam este grupo e se misturam ao resto da multidão.

Uns poucos continuam escuros e pesados. Observo agora que estão presos por correntes. Grilhões!

Estes grilhões se quebram, libertando a eles e, percebo, também libertando a mim.

Serafim diz que eles estão livres. Podem ir para onde desejarem.

Eles simplesmente somem! Vão! Não sei para onde.

 

Serafim diz que este ritual também é um ritual de liberação. Libertação.

Ficamos todos felizes com isto.

Celebramos a nossa alegria cantando e dançando.

Cada um canta e dança como quer.

Alguns dançam aos pares, outros dançam sós.

Penso nas bacantes, no frenesi da alegria.

Mas aqui não há frenesi. Há apenas alegria.

pessoas dançando

Alegria de viver e de estar com muitas pessoas, muitos seres, que amam a si mesmo, amam os outros e amam viver.

Esta vibração de alegria, de confiança, traz muita liberdade e leveza à dança.

Todos rimos, nos divertimos muito contentes.

Como é bom estar cercada de amor, confiança e simplicidade!

Dançamos e dançamos. Cantamos.

Ah! Estar entre amigos, estar entre irmãos que se amam e se apreciam uns aos outros…

Como isto é leve e bom!

Estamos todos celebrando a vida. Celebrando a alegria e o Criador.

O Criador que nos une e está dentro de nós. O nosso poder de amar criou esta alegria e esta benção.

Celebramos o amor por tudo e por todos.

Bendito seja o amor!

 

O fogo central está em meu coração e todo este amor ao redor se aloja em mim.

Minha aura é feita de pessoas dançantes.

O fogo do coração me aquece e transmuta a tristeza e a dor.

Benditas salamandras. Salamandras de amor.

 

Há agora apenas um ponto preto de dor no meu coração e Serafim me pergunta se quero transformar isto também.

Digo que sim. Estou aqui para isto.

Ele me diz para olhar bem para o centro deste ponto negro, sabendo que ele, Serafim, está comigo.

Olho este ponto e o que vejo é muito horrível.

Vejo uma encarnação onde fui, por muito tempo, torturada, humilhada e maltratada.

Onde, realmente, caí nas mãos dos mais escuros e terríveis seres…

Apenas porque eu tinha luz. Eles queriam a minha luz.

Mas isto não é algo que se possa dar. Se eu pudesse, realmente teria dado (até para poder me livrar do sofrimento).

Eles queriam a minha magia, mas a minha magia não funcionava nas mãos deles.

Eles pensavam que eu os estava enganando, e por isto me torturavam com rigor e método.

Enfim, a carne me deixou e eu pude seguir o meu caminho.

Serafim me diz que este era o grupo escuro que se foi, seguindo o seu caminho de desenvolvimento.

Serafim diz: “É um caminho longo, mas também eles um dia serão capazes de receber e dar amor”.

A um pensamento/sentimento meu, Serafim diz: “guarde seu amor para você mesma. Eles ainda não conseguem recebe-lo.

Perdoe se por haver fracassado.

 

A sua magia não foi e nunca será suficiente para transformar quem não quer ser transformado.

Cada ser é livre para escolher o seu próprio caminho.

Este é o Poder Maior.

Aprenda a respeitar este Poder Maior no mais profundo da sua alma e do seu coração.

 

Perdoe a si mesma.

Todos nós nos equivocamos. Nossos erros e equívocos são os degraus da escada da ascensão.

Deixe agora que as salamandras de luz transmutem esta dor, culpa e ressentimento.

Sim! Também você torturou outros quando estava nos primeiros degraus desta escada.

Mas, agora tudo isto ficou para trás, anulado numa equação de menos e mais.

Permita que tudo isto se dissolva, transmute e purifique no grande vento da Iniciação.

 

Sim! Quando já não precisamos mais da escada, ela deve ser dispensada. Irá servir a outros na sua própria escalada.

Para você acabou o tempo da escada. Solte-a com todas as memórias que existem nela.

Não perca mais tempo com isto. Solte-a. Deixe-a ir.

Outros precisam dela.

As lições, infinitas lições, nela contidas, as essências abstraídas destas lições, já estão em ti.

Deixe ir os fatos, as recordações e as memórias. Apenas a essência de todo o vivido deve permanecer”.

Respondo: Que assim seja!

 

Serafim me diz que toda esta multidão que hoje está aqui, veio para me ajudar.

Me vem à memória que eu também já participei de inúmeros outros rituais semelhantes para outras pessoas!

 

Serafim continua:

“Todo o fogo do amor de todos estes seres formará uma grande fogueira, na qual a escada e todas as vidas que estão contidas nela, tudo isto será completamente queimado no fogo do amor”.

fogo 2

 

 

Vejo que o fogo enorme já queima forte e vejo a escada, aos poucos, ser consumida pelas chamas.

 

 

 

O último degrau, desta vida atual, é o último a queimar, e tudo, absolutamente tudo, é consumido por esta poderosa chama.

Agora, nada resta.

 

Os seres que se reuniram para esta celebração se despedem felizes.

Juntos realizamos mais um ritual de libertação através do amor e da gratidão.

Nós nos libertamos uns aos outros e, todos juntos, libertamos minha alma do jugo das suas lembranças.

Agradeço a todos, sabendo que já participei e participarei muitas vezes de rituais como este. (Aqui me vem: Tudo ocorre no presente!).

Celebrações de alegria, amor, gratidão, liberdade e beleza.

 

Como agradecer a Serafim por tudo isto?

Como retribuir a imensidão do que fez por mim?

Ele me responde:

 

“Com a sua gratidão!

A gratidão é o ouro maior e mais valioso do Universo.

É isto que você agora está dando para mim”.

Serafim continua: “Eu imediatamente retribuo.

Enriquecemos ambos.

Nossos tesouros pessoais foram muito aumentados.

Ficamos os dois muito mais ricos”

 

Ele ri e diz que gosta de “fazer negócios” com pessoas como eu. São sempre muito bons negócios!

Rimos juntos.

“Rico ri à toa”

Rimos mais ainda.

 

Com o coração repleto e a alma plena, volto para o meu corpo físico.

 

 

Notas:
*1 – Caboclos são entidades que incorporam em rituais de Umbanda.
*2 – Sr. Ogum Sete Ondas é a principal entidade que eu incorporo. Na Umbanda chamamos esta entidade principal de Baba de Ori (Pai de cabeça, literalmente). É o protetor de nosso chacra da coroa.

Autor

O Caminho Espiritual sempre foi meu foco de interesse na vida adulta: estudo, reflexão, meditação, autoconhecimento, crescimento e transformação pessoal. Partilhar o que encontramos nesta jornada também é uma exigência do Caminho. Por isto estou aqui.

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