Enfim…Serafim!

Dia 10

Enfim…Serafim!


 

Sento para meditar.

Imediatamente a aldeia vem até a mim e me envolve.

Estou na cabana de cura, em meu corpo de luz.

Em volta percebo a luz vermelha dourada.

O Pajé está aqui.

Sinto sua energia e atmosfera vibracional.

Me lembro que não sei seu nome.

Ele me diz: Serafim.

Surpresa, comento: como o marinheiro que eu trago? *1

Ele responde: temos o mesmo nome, mas não somos a mesma pessoa.

 

Sinto conforto e expansão.

Danço abrindo espaço e sendo este espaço ao meu redor.

Sou a cabana e sou o eixo central dentro dela.

Eixo e coluna de luz.

 

Serafim me diz que somos o espaço e a luz-energia que ocupa este espaço.

Danço o espaço e vou subindo pelo eixo-coluna de luz.

Sinto a kundalini, como uma trança, num movimento ascendente, que parece não ter fim.

Finalmente, o espaço se abre.

 

Estamos numa outra aldeia.

Chegamos os dois, Serafim e eu, nesta aldeia.

Eu carrego arco e flecha.

Serafim carrega uma flauta e o seu cachimbo.

Somos conhecidos aqui.

Nos dirigimos para uma cabana de cura onde uma mulher está deitada. Para ser curada.

Há muitas índias ao redor da “paciente”.

Também gnominhas vermelhas, que trabalham sobre o corpo da mulher que ali jaz.

Serafim me diz que é preciso que eu fique muito atenta agora. Eu estou com ele e preciso ficar nele! * 2

Chegando mais perto, percebo que esta mulher é uma pessoa que eu conheço em minha vida material.

Ela está totalmente inconsciente.

Serafim se aproxima dela e enfia sua mão dentro do abdome da mulher, retirando de lá um grande “bolo de cabelos” e outras coisas mais. Uma verdadeira maçaroca! Grande, de uns 15 cm de diâmetro.

 

Ele retira e imediatamente queima a maçaroca num fogareiro que lhe é trazido por uma das índias.

A queima produz uma luz dourada.

Serafim espera, paciente, que tudo se queime completamente.

 

As gnominhas, agora rosadas, espalham sobre a abertura feita no abdome pela retirada da maçaroca, um unguento rosa. Cicatrizante e calmante.

Serafim olha então o chacra frontal da criatura.

Seu olhar faz aflorar ali uma pedra, semelhante a um olho, colorido, que ele retira.

Sopra esta pedra com a fumaça de seu cachimbo, que lhe é passado por outra índia.

Envolto pela fumaça, o objeto vai se dissolvendo…

Sei que a fumaça apenas carrega a força da intenção do Pajé.

É esta força que dissolve este amuleto-implante, que ali, em algum momento, foi colocado.

Ele diz que ela deverá ficar ali na cabana de cura por 7 dias e 7 noites.

Diz que o meu amor e o desejo, da própria mulher, de ser curada, a trouxeram para cá.

Do alto da cabana desce uma luz dourada sobre todo o corpo deitado.

Um facho de luz!

Entendo que esta luz dourada substituirá o que foi retirado e continuará o processo de purificação, limpeza e cura.

Saímos da cabana.

As índias cuidarão dela.

 

Serafim me diz que carrego arco e flecha porque preciso aprender a me concentrar, escolher uma meta, reunir energia e partir em direção a ela, sem titubear.

 

Ele carrega uma flauta.

Através da doce música do seu coração atrai para perto de si seus estudantes e ajudantes.

Atrai apenas aqueles que podem ouvir esta música, esta frequência vibratória.

Diz que também eu preciso aprender esta magia: atrair para perto de mim apenas aqueles que ouvem e gostam da minha música. Que dançam a mesma dança que eu danço.

“A dança que cria o espaço dentro do qual vivemos e queremos viver”

“Sua dança é boa! Nos trouxe para cá”!

Serafim ri.

 

Seu ser, seu riso, sua assinatura vibracional, irradiam aceitação alegre e tépida!

Choro! De gratidão.

 

Agora Serafim me convida a passar pelo fogo.

“Você sempre entendeu fogo como purificação.

Fogo é purificação, mas não é só isto.

Fogo é um portal para outras dimensões específicas de Realidade”.

 

Sim! Eu quero entrar neste fogo que não queima e me transporta!

Entro no fogo e sinto sua benção de purificação de muitos e múltiplos medos e enganos.

“Este fogo começará a tirar a venda de todos os seus olhos”

Sei que temos muitos olhos, pelo corpo todo.

Me deixo ficar no fogo, sentindo a sua benção.

Serafim não precisa entrar neste fogo.

Ele já tem este fogo em si.

 

O fogo vai se extinguindo…

Há carvão aos meus pés.

Não vou a lugar nenhum, mas, à minha volta tudo muda, e muda de cor.

 

BRANCO

 

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Tudo é branco!

Pode ser neve…

Na verdade, sei que é o nível da Pureza da Realidade.

Antes que ela fosse alterada pelas vidas e pelos carmas.

 

Serafim diz:  “um Xamã deve, às vezes, vir para cá.

Passar pelo fogo e se reconectar com a sua essência.

Pura e original”.

Ele ri.

“Como o banho que tomamos regularmente”!

Me diz que eu vou ficar por algum tempo aqui.

“imersa no branco”

Ficarei onde quiser.

Não há ninguém aqui. Tenho tudo de que preciso.

“Há também uma cabana branca, alimentos e bebidas brancas”.

A um pensamento meu, ele responde rindo:

 

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Sim! Oxalá!

 

 

Oxalufã.

 

 

*3

 

 

 

Diz que depois resgatarei meu arco e flecha.

Agora não preciso de nada.

Nem roupas!

Adeus.

Saravá!

 

Notas:

*1- Por muitos anos fui médium de passe na tradição da Umbanda. Uma das entidades que eu incorporava é um Marinheiro, chamado Serafim. Sua benção, meu pai!
*2- Serafim me dirá coisas assim outras vezes!  É sua forma de atuar para estabilizar minhas emoções, de maneira a não comprometer a clareza daquilo que ele está me ensinando.
*3- Oxalalufã, mitologia ioruba. É um Oxalá velho. Sua cor (paramentos, comidas sagradas, etc) é sempre o branco.
Tempos depois da vivência desta Iniciação, quando trabalhava neste site escolhendo as imagens para ilustrar os posts, perguntei a Serafim o que ele achava da imagem do índio que escolhi para ilustrar este post em particular. Ele me respondeu: “é uma imagem muito bonita, mas, você sabe, não tenho um rosto. Sou um padrão vibracional”.
Assim é Serafim…

Autor

O Caminho Espiritual sempre foi meu foco de interesse na vida adulta: estudo, reflexão, meditação, autoconhecimento, crescimento e transformação pessoal. Partilhar o que encontramos nesta jornada também é uma exigência do Caminho. Por isto estou aqui.

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