Dança das fitas

Dia 15

Dança das fitas


 

Logo que me alinho em meditação, vejo a trança, mais larga agora, flutuante. Ela está mais comprida também. Nasce dos raios de luz que vem dos meus dois ouvidos. Ver aqui

 

Estou na Cabana de Cura.

 

Estou deitada, mas me levanto surpresa logo que desperto e percebo que há muita gente à minha volta.

Serafim me diz que todas estas pessoas aqui presentes me amam. Me querem bem e estão aqui para me ajudar.

Estão aqui para oferecer a Força e o Poder do seu Amor para me ajudar a me libertar.

Fico muito emocionada e grata por isto.

Este processo da Iniciação está me ajudando a perceber que sou muito amada e apoiada.

Serafim me diz que agora precisa da minha completa atenção no momento presente.

Respondo: Ok.

 

Ele pega seu cachimbo e começa a baforar sua fumaça branca sobre mim.

As pessoas em torno começam uma dança forte, batendo energicamente seus pés no chão.

Isto vai produzindo em mim uma alteração de consciência e eu começo a perceber um monstro animalesco, que surge de dentro de mim.

É uma mistura de urso selvagem com forma humana.

 

Serafim me diz que eu sou isto também.

“É preciso que este ser terrível apareça e que você o veja claramente, em sua forma mais completa”.

Sei que a vida toda consumi muito da minha energia mantendo este ser contido, imobilizado dentro de mim.

Gastei muita energia com isto!

Mas agora, a tarefa que me espera vai exigir toda a minha energia. Não posso mais gastá-la na contenção deste monstro.

Uma parte de mim sempre soube que ele existia. Outra parte o desconhecia. Negava a sua existência.

Bem… agora, ele aqui está!

Serafim me diz que é preciso que eu o sinta e perceba com muita clareza.

 

Sua fumaça branca começa a penetrar em minha aura de monstro.

Percebo que há resistência.

Eu/ele somos um ser muito escuro e é difícil o branco penetrar aí.

Percebo que a fumaça branca envolve a forma monstruosa, mas não a penetra.

 

A partir deste momento… nos destacamos.

Vejo a criatura fora de mim.

 

Vejo pequenos raios dourados que começam a sair do coração da criatura e ir em direção à fumaça branca que está na periferia da sua aura.

Vejo também que algo escuro começa a escorrer na sua cabeça.

É uma gosma meio líquida bem escura.

Sai do topo da sua cabeça e começa a escorrer pelo seu rosto.

Também do seu chacra frontal escorre esta gosma líquida.

As pessoas em torno de nós, dançam mais suave e lentamente, mas a dança ainda é forte.

Aumenta a quantidade de raios dourados que saem de seu coração e se alongam em direção à periferia da aura…

Então, o coração se ilumina e se expande, em dourado, em direção ao chacra laríngeo.

Dos olhos da criatura começam a sair lágrimas escuras de medo e dor. Dor emocional.

Quando a luz dourada, do coração e do laríngeo, chegam ao chacra frontal, a criatura começa um choro convulsivo, liberando medo e dor.

Ao mesmo tempo, o dourado vai se espalhando por toda a sua aura superior e finalmente desce até os seus pés.

A fumaça branca, que continha a aura, se abre, e a criatura está livre diante de nós.

 

Ninguém tem medo!

Nem mesmo a criatura tem medo mais.

Serafim diz a ela que aqui e agora ela está neutralizada e sabe disto.

Sabe que não nos pode fazer mal.

Também não precisaria, porque nenhum de nós, tampouco lhe fará mal.

 

Serafim diz a ela que ela mereceu o direito da escolha.

Pode assumir uma encarnação animal no Planeta Terra, como um urso, ou pode voltar para o planeta mais atrasado de onde veio.

Me vem a informação que neste planeta, este ser é “topo da cadeia” de espécies. Como nós humanos nos consideramos aqui.

A criatura diz que aceita servir neste planeta, que a serviu por muitos milênios.

Aceita assumir uma encarnação animal, como um urso marrom.

Serafim diz que para isto ele precisará abandonar esta forma, deixar esta carne.

“Aquilo que neste planeta as pessoas chamam morrer.

Precisará aguardar por um tempo, numa outra dimensão, a permissão para encarnar na barriga de uma ursa que se disponha a gera-lo.

Quando encarnar como urso, será urso! Com consciência de urso e não se lembrará de mais nada.

Este tempo que ficará aguardando a encarnação, nesta outra dimensão, será um tempo de aprendizagens e provas, até que esteja pronto para encarnar como urso.

Os animais da Terra são seres muito evoluídos!

Há muito a aprender e transformar para ficar pronto”.

A criatura responde que deseja sim este caminho, porque aprendeu a amar este planeta e quer fazer parte do seu corpo e de sua consciência.

 

Serafim pergunta se ele precisa de ajuda para morrer ou se prefere morrer por conta própria.

Ele pede ajuda a Serafim, porque sabe que será uma morte instantânea, dentro de uma consciência luminosa (a cabana e todos os seres de luz reunidos lá), que ajudará em sua evolução.

Serafim apenas olha forte para o coração da criatura.

Um raio penetra por uma abertura no alto da cabana e atinge o coração deste ser!

Ele instantaneamente cai fulminado. Todo seu corpo é consumido pelo fogo do raio.

Nada mais é atingido por este raio e fogo. Nem a cabana, nem as pessoas. Nada.

Apenas a criatura foi fulminada!

Estamos todos solenes e respeitosos.

Espontaneamente fazemos um minuto de silêncio em homenagem a este ser.

Serafim diz: “Merece o nosso respeito este ser que foi capaz de conquistar a evolução da sua consciência”.

 

Serafim se volta para mim e, como sempre, responde aos meus pensamentos:

urso marrom

 

 

“Sim. Silvestre o seu Boiadeiro está aqui conosco. Afinal estamos tratando de animais, não é?   *1

 

Não se preocupe.

 

 

 

A linha dos Boiadeiros estará trabalhando para ajudar na evolução deste ser.

 

“Vê como a morte na verdade é vida?

Aquilo que vocês chamam de morte,

pode ser uma Iniciação.

Nunca tema a morte

Nenhum tipo de morte!

Morte é sempre uma conclusão e a liberação do ciclo anterior, que já se foi”.

 

As pessoas agora dançam leves.

Pensava que dançavam com lenços, mas, percebo que, na verdade, movimentam energias coloridas. Que eu agora posso ver.

Os poucos resíduos que ficaram da cremação do “monstro”, são transformados, por Serafim, em borboletas azuis.

“Vê filha, também elas estarão com você em seu trabalho de cura, quando você estiver pronta para inicia-lo.

Serão ajudantes muito capazes, fortes e competentes, porque carregam em si a essência de todo este aprendizado vivido”.

Borboleta-Azul

       

     

  Elas são lindas!

 

 

 

 

Sempre me sinto presenteada pela sua beleza quando aparecem no Ilê.

 

Estou tão fortemente emocionada que me sinto quase intoxicada por tanta emoção.

 

Serafim me diz para eu me deixar penetrar pela magia de cores da dança que os amigos dançam à minha volta.

A dança se intensifica, mas tem agora uma coreografia diferente. É mais leve e fluida…

Vai preenchendo todo o espaço da cabana com luz multicolorida e intensa vibração.

 

Parece aquela dança típica das fitas: eu sou o poste central mas as “fitas” de luz, não são enroladas em mim.

Pelo contrário: são liberadas de mim.

A dança vai desenroscando “fitas” luminosas de mim.

Me sinto grata.

Sei que é uma liberação.

Num determinado momento estou desenroscada.

Sou apenas luz e a dança cessa.

Ah! A tal da trança do chacra laríngeo! Só agora compreendo.

Um último pedacinho dela que penetrava na terra é desenrolado e os dançarinos puxam em sua direção.

 

Estou muito cansada!

Serafim me envolve numa esfera de luz dourada e me diz para repousar.

Prepara uma “cama” de folhas para que eu me deite.

Todos vão saindo… agradeço a todos eles, que me sorriem em resposta.

Serafim diz para eu me deitar.

”Em sua vida material deve ter um dia repousante. É muito importante que descanse.

Boa noite. Durma bem. Durma com los anjelitos”!

Serafim ri e sai da cabana.

Me deito para repousar.

 

 

Notas:

*1 – Silvestre é o nome de uma das entidades que incorporo nos rituais de Umbanda. Vem na linha dos Boiadeiros. Entendemos que esta linha nos ensina a lidar melhor com a natureza instintiva que existe em nós, nas outras pessoas e nos animais.

 

 

Autor

O Caminho Espiritual sempre foi meu foco de interesse na vida adulta: estudo, reflexão, meditação, autoconhecimento, crescimento e transformação pessoal. Partilhar o que encontramos nesta jornada também é uma exigência do Caminho. Por isto estou aqui.

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