Chegada na aldeia

Dia 2

Chegada na aldeia


Logo que fecho os olhos, dando início à Meditação, Mãe Jaciana me chama.

Ela me dá a sua mão e entramos mata adentro.

Chegamos à aldeia.

As pessoas estão em seus afazeres e neles continuam.

Não sou uma presença estranha ou inusitada!

Parece que sou um deles.

Pergunto a ela o que vim fazer aqui.

Ela me responde que estou sempre aqui. Apenas não me permitia saber disto.

Ela me diz também que esta é uma Realidade de Amor, Abundância e Prosperidade.

Vivem em paz. E, em paz, com sua felicidade e alegria, louvam o criador.

Há uma fogueira no centro da aldeia. Nos dirigimos para lá.

Há um cacique ou pajé, com um lindo cocar.

Ele me convida a fumar com ele e saúda a chegada de mais uma parte de mim aquele lugar.

Diz que eu estou mais inteira agora!

Fumamos seu cachimbo.

Ele me diz que tenho expectativas por ensinamentos objetivos – conhecimentos sobre ervas – mas diz que isto não é importante agora.

Primeiro preciso aprender a viver. Sem medo, com amor, com alegria e leveza.

Como eles.

Continua dizendo:

Preciso perceber que necessitamos de poucas coisas materiais para viver bem.

Cortar as minhas dependências. Me liberar delas.

Ele me diz que há muito vivo ali, e que já aprendi muitas coisas, mas há mais para aprender.

Aprender a Ser.

Penso: sim!

O fogo da fogueira e sua fumaça me purificam.

Assim como a fumaça do cachimbo me purifica por dentro.

Ele diz que eu gosto disto!

Ri. Diz que eu gosto de purificações. Estou sempre purificando.

Ele acha graça. Ri.

Me diz que sempre tenho expectativa de que algo aconteça e que assim nada nunca vai acontecer.

Diz que esta é a 1ª lição: aprender simplesmente a ficar e existir, sem expectativas.

Penso: que lição difícil!

 

Ficamos ali.

Começo a sentir o vento, melhor dizendo, uma brisa agradável que acaricia meu corpo nu (só então percebo que estou nua).

Como é bom sentir o vento!

Como é bom sentir o vento em mim e ser acariciada por ele!

A temperatura é agradável e eu não tenho frio.

Sinto um sol de calorzinho tépido e desfruto deste abraço e desta luz.

Meus músculos vão relaxando e se soltando. Minha “armadura” vai se dissolvendo.

Conforme esta armadura vai se dissolvendo, começo a ver muitas cores no ambiente.

Bonito! Tudo é muito colorido.

Como o mundo é bonito!

E é leve.

Meu corpo se torna leve e o mundo também é leve.

Ele me diz que posso me deitar, se quiser, e que também posso tirar, como uma roupa, a minha vestimenta-corpo.

Sim.

(Saio de meu corpo pelo tórax. Chacra do coração)

É bom deixar esta roupa pesada e passear um pouco por este lugar tão bonito.

Vou dar uma volta por este mundo brilhante e luminoso.

Há aqui borboletas muito coloridas.

Estou na mata.

A um leve medo de animais que se insinua em mim, uma leoa vem se esfregar em minhas pernas. Como se fosse um gatinho.

É uma linda e luminosa mata.

Um raio de sol se infiltra pela copa das árvores e me mostra uma pequena fada, próxima às raízes de uma grande árvore.

Ela me diz que está brincando, ou trabalhando, porque o seu trabalho é uma brincadeira deliciosa.

Observo seu voo leve e alegre, suas asas iridescentes.

Ela me diz que vive aqui e que gosta tanto das plantas quanto eu gosto.

Outras fadas chegam, atraídas pela nossa conversa.

Conversam entre si e me recebem bem. Já me conhecem.

Apenas eu não sabia que já as conhecia.

Saúdam a chegada de mais esta parte de mim (a consciência).

Dizem que agora vamos poder brincar mais, estaremos mais juntas.

Vamos trabalhar/brincar juntas.

Ah! A leveza deste mundo!

Aqui é possível voar.

Não é cansativo se deslocar.

Perguntam se eu gostaria de voar até o topo das árvores.

Gosto da ideia.

Eu não sabia que podia fazer isto. Eu posso!

Subo ao topo com elas. Pelo caminho vamos vendo galhos e folhas.

Me emociona este tronco vivo neste universo vivo!

Chegamos ao topo.

Como é bonita a visão que se tem aqui.

Um mar de folhas e copas.

Quanta saúde vegetal, meu Deus!

Vejo o céu acima e estou nele. Vejo também o topo de uma montanha mais adiante.

Sei que posso voar até lá.

Voo e chego lá.

Sento sobre a rocha careca e contemplo.

Que beleza!

A Beleza me emociona e eu me sinto grata por esta Beleza e por estar vivendo este momento.

Como o mundo é bonito!

Que maravilha estar aqui.

Meu coração dói!

Parece que algo o impede de se expandir.

Olho e vejo um anel dourado de contenção. (O aro impede que o coração se expanda).

Quero retirar este anel.

Este ouro eu não quero mais!

Desce do alto uma grande águia, num vórtice de luz.

Ela retira delicadamente o anel e o leva consigo.

Aparecem pequenas gnominhas com baldes e escovões.

Vão fazer uma limpeza em todo o meu chacra do coração.

Colocam sobre ele um emplastro de Luz Verde e me explicam que é feito de turmalina verde moída.

Este emplastro ajudará na cura profunda do chacra do coração.

Elas sabem como é doloroso ter um coração machucado e apertado e me dizem que agora meu coração será curado. Poderá se expandir sem impedimento.

Eu sinto que este emplastro e o “ mar verde” de copas e folhas são um só e que também as issabas* vão participar deste processo de cura.

Sei que é hora de ir embora, voltar para o meu mundo.

As gnominhas me dizem que parte de mim ficará aqui. Numa cabana de cura, me recuperando da cirurgia do coração.

Mas eu voltarei normalmente para a minha vida e para os meus afazeres.

Nem mesmo preciso me despedir e agradecer, porque, de fato, não sairei de lá.

Ficarei lá. Como sempre!

Mesmo assim, elas se despedem de mim e me abençoam. Dizem que elas estarão sempre comigo, esteja eu onde estiver e que eu posso também contar com sua ajuda nos trabalhos de cura.

Até mais, elas dizem. Vá em paz!

Volto para o meu corpo material entrando pelo coração.

Agradeço a Deus e aos Mestres esta experiência maravilhosa e peço que todo o Grande Ilê seja abençoado por ela.

 

* Issabas: folhas de vegetais quando usadas de forma sagrada (para rituais, banhos, purificações)

Autor

O Caminho Espiritual sempre foi meu foco de interesse na vida adulta: estudo, reflexão, meditação, autoconhecimento, crescimento e transformação pessoal. Partilhar o que encontramos nesta jornada também é uma exigência do Caminho. Por isto estou aqui.

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