Chacra Laríngeo

Dia 14

Chacra Laríngeo


Voltar ao Xamã agora, é voltar ao estado de espírito em que nos despedimos.

Somos ricos!

Sinto o raio diagonal e sei que Serafim está aqui.

Percebo a fumaça branca de seu cachimbo penetrando a minha aura e ele confirma: “Sim. Eu estou aqui”.

O foco da sua fumaça é o chacra laríngeo, que eu vejo num azul royal brilhante. Há algo no centro dele. É uma linda cruz dourada, toda trabalhada em filigranas.

Serafim me diz que este chacra necessita de uma atenção especial. Ficou fechado por mais tempo do que deveria e agora precisa ser ativado e restaurado com muito cuidado.

A confiança e a fé em mim mesma deveriam tê-lo ativado completamente, mas, como estas energias em mim eram fracas, o chacra não foi plenamente ativado no momento certo.

Para tratar disto, voltamos para a cabana de cura, da qual, na verdade, uma parte de mim nunca saiu.

Deito-me no chão da cabana numa “cama” de folhas que a sabedoria de Serafim escolheu, especialmente para isto.

Estão presentes as gnominhas azuis, mas quem trabalhará comigo hoje serão as sílfides, na pessoa daquelas lindas fadas que encontrei no 2º dia da Iniciação. Veja aqui

Serafim diz: “Sim. Trabalharemos com o Elemento Ar”.

O Xamã começa a entoar um canto. Sons que não entendo.

Uma leve brisa se faz presente dentro da cabana.

Agradeço ao vento que atendeu nosso chamado.

Informações chegam à minha consciência:

Invocar

Evocar

O ar que passa pela nossa garganta quando falamos ou respiramos, emite a vibração que atua sobre este chacra.

É preciso que a respiração e a palavra tenham a força e o ritmo adequados para que uma certa vibração seja produzida.

Há muita tensão, raiva e dor na minha garganta!

As fadinhas começam a trabalhar nisto.

 

Na 3ª dimensão, onde está meu corpo físico, um vento forte, repentino, agita as folhas das árvores perto da janela do quarto onde medito.

Sinto gratidão pela resposta do vento.

Este sentimento de gratidão me faz tomar consciência, de forma mais clara, do aperto e dor alojados em minha garganta.

 

Em seguida, vejo em minha garganta, uma trança e dois fios de luz que vão em direção às minhas orelhas.

Esta trança… que coisa apertada!

Há também um nó!

A trança apertada e o nó me incomodam muito.

Como se faz para soltar isto?

Suspiro forte!

 

As fadinhas e o vento me ajudam.

As fadinhas fazem cócegas na região do pescoço, me levando a rir e a me contorcer.

O vento assopra, como a gente assopra quando quer soltar um monte de correntinhas fininhas que estão emaranhadas.

Com a ajuda do vento, a trança começa a se afrouxar, mas ainda sinto muita contração na garganta.

Vem um canto Porã-Hei:

 

NHEN`G é um cântico guarani para erguer a alma. Para que ela vibre sua harmonia primordial.

Na consciência de meu corpo físico, tenho vontade de tomar o meu floral, para umedecer a garganta. Ao pegá-lo me lembro do que ele contém. Claro! Pau Brasil! Um floral vocacional.

Vocação! Onde mais estaria a vocação?

Exatamente neste chacra!

Um raio diagonal (de Serafim), e a trança se solta ainda mais. Ainda sinto dor e contração na garganta.

Vejo agora, neste chacra, um “bolo de cabelos” numa atmosfera vermelha.

O raio de Serafim penetra aí.

Neste momento me vem à cabeça: “Silvestre”. *1

Com um canudo, Serafim vai sugando este emaranhado. Sinto contração e dor.

Aos poucos, o emaranhado vai desaparecendo, sugado por Serafim, e uma luz azul começa a ocupar o seu lugar.

Salivo muito e preciso engolir a saliva para não engasgar.

Ainda há mais.

Mais emaranhado a ser retirado.

Sinto contração e dor.

Agora o canudo de Serafim é passado por toda a borda do chacra. Como um cirurgião que limpa os limites do campo operatório para ter certeza de que absolutamente toda a matéria doente foi retirada.

Telepaticamente Serafim me instrui:

”Saber usar as palavras.

Todas as palavras são Palavras de Poder.

Principalmente aquelas que a gente emite e envia para o mundo”

A limpeza do campo acabou. As gnominhas azuis agora chegam com seus baldes e vassouras.

letra-u

 

 

O chacra está limpo e eu percebo que ele tem um formato de U.

 

 

Agora vejo no chacra apenas uma luz, melhor dizendo, um plasma vermelho.

Penso que a região está sendo energizada, ativada.

Ainda vejo a sombra da trança fina por trás do plasma.

Parece que ela foi afrouxada, mas não retirada.

Agora ela é absorvida pelo centro desta massa de plasma vermelho. Este centro é um ponto mais escuro.

À minha consciência vem algo assim:

“O que não mata, engorda!

Transformar o alimento em veneno…

Também pode-se fazer o contrário:

alimentar-se de veneno”

Não entendo o que tudo isto quer dizer.

Serafim então, me fala da medicina da cobra.

“Aqueles que são mestres nesta medicina, transformam o veneno em alimento”

Ele me diz que isto eu sei fazer, mas preciso aprender a fazer isto com mais clareza e rapidez.

O vermelho, no chacra, agora é mais claro e brilhante.

Mais um raio diagonal de Serafim incide sobre mim, e todo o meu corpo fica vermelho e brilhante.

Ao mesmo tempo, me vejo em pé altivo com minha roupa e cocar de xamã (o cocar está um pouco maior!). Tenho o arco e flecha na mão. Me dirijo ao Universo de forma altaneira.

Em vez de dizer: Pai me escuta, sou seu filho… *2

(Agora já não tenho forma humana. Sou um corpo de luz)

Digo:

Eu Sou Quem Eu Sou

Tenho o arco da minha vontade e a flecha do meu desejo

Neste momento vejo que a trança (do chacra laríngeo) é a flecha e os dois fios de luz que saíam da trança em direção aos ouvidos, são o arco.

O arco vai tomando forma e também a trança vai tomando forma de flecha…

Me vem que esta flecha não deve ser atirada para fora e para o alto! Ela toma posição para ser lançada para dentro e para o centro. Para o centro do meu coração.

Agora, vejo uma flecha no coração, apontada para cima (em direção à cabeça). O arco desta flecha se localiza nos ombros.

Entendo: Ouço a orientação espiritual (os fios de luz que saem dos ouvidos e se ligam à trança). A trança é a elaboração da orientação espiritual que ouvi. Esta trança deve ir, como flecha, ao coração. O coração dá força e robustez a esta flecha.

O arco se apoia sobre os chacras secundários dos ombros (que estão relacionados com os sentimentos de confiança em si e confiança num mundo benigno).

O que impulsiona a corda do arco é a força do chacra do plexo solar, que é liberada pelo coração.

Escuto que a corda do arco pode ser retesada até o chacra da base.

Agora vejo: A flecha sai pelo chacra da coroa.

 

Ainda sinto contração, secura e um pouco de dor na garganta.

Mais um raio diagonal de Serafim incide sobre mim.

Vejo mais um emaranhado que sai do chacra laríngeo e desce em direção ao meu coração.

Vem: Amor por mim.

O Amor por mim, finalmente começa a relaxar minha garganta.

Algo escorre da garganta para o coração e aí é dissolvido e transformado.

O amor por mim vai me fazendo relaxar e todo o meu corpo vai se tornando mais claro.

Vem: aquilo que ouço, ouço com o coração. E a trança vai suavemente descendo para o coração.

A sensação agora é outra.

Os raios dos ouvidos, como que escorregam e deslizam esta trança para o coração.

Penso: aprender a pensar com mais gentileza!

Arejar mais a minha mente e também o meu corpo material. Rir!

 

Agora estou sorrindo e relaxando.

Serafim diz:

“Não mentir! Nunca mentir”!

Penso nas mentirinhas sociais: Bom dia!

Serafim diz sério: “Melhor calar”!

Aprender a ser um Ser Inteiro:

Alma – Corpo – Vontade

“Assim somos o nosso próprio arco e a nossa própria flecha.

Inteireza e integridade em todos os momentos do nosso existir”

 

Penso nas diversas partes de mim…

Para onde vamos?

“Melhor ir todos juntos para o mesmo lugar”

Diz Serafim. E ri.

Fico pensando em todos estes ensinamentos…

 

Fiquei tanto tempo ensimesmada que esqueci de Serafim, da cabana e de tudo mais!

Serafim ri. Diz que eu faço isto sempre.

Penso: verdade! Adoro a minha própria companhia. Apesar de que nem sempre ela é muito divertida!

Serafim ri e eu rio com ele.

Às vezes, alguém ou algo precisa vir me salvar. Me resgatar destes nós e bolos nos quais eu mesma me enredo!

 

Ainda há um pequeno ponto de contração na minha garganta.

Vem: qual é o desejo que não estou expressando?

Logo vem a resposta: O desejo de Agir!

Cantar, tocar e dançar a minha própria música, ouvindo as batidas do meu coração.

Pisando forte na terra!

Meu chão.

Impregnar todo o meu entorno com a minha música e a minha dança. Na força e na energia que vem direto deste meu chão.

Ouvir o Ilê com os pés e com o coração. *3

Sua força e sua magia são a energia da minha dança.

Saber que eu sou a dona. A senhora deste chão.

A única pessoa que pode ouvi-lo e lhe dar expressão.

 

Neste ponto sinto que preciso fazer isto em meu corpo físico, material.

Saio do quarto onde medito e vou para o jardim.

Danço, falo, canto e percorro toda a chácara descalça. Sentindo o chão, percorro todo o Ilê.

O sentimento?

 

Ah! Como eu amo! Como eu adoro este Lugar!

 

Minha relação de amor é também com as casas de outros moradores e com toda a mata em volta. Não apenas a área que legalmente pertence a mim.

 

Ah! A força desta terra!

 

A força desta terra e deste Lugar que eu materializei para mim!

Natureza rica e forte!

 

Penso em Serafim.

Volto para o quarto e retomo a meditação.

Imediatamente Serafim me responde. Diz que hoje eu fui passear sozinha, mas que ele estava perto de mim.

Hoje fui eu que o trouxe para um passeio. Um passeio no mundo material.

Me diz que gostou muito do passeio.

Diz também que eu preciso me apropriar mais completamente deste lugar.

Que eu tenho constrangimento em dizer com clareza:

Eu sou a dona deste lugar.

Eu o conquistei para mim. Eu materializei isto!

Serafim diz que este e outros constrangimentos semelhantes contraem a minha garganta.

Se expressam assim no meu corpo para que o incômodo me ajude a tomar consciência e curar isto.

Há tanta gente esperando…

Preciso curar isto de uma vez!

 

A esta fala de Serafim penso: Sim. É verdade que tive muita ajuda para conquistar este lugar… mas sempre e para tudo temos ajuda…

Não há um único momento em que estejamos sós!

A solidão de fato é impossível.

Eu preciso aprender a dizer com clareza, certeza e inteireza:

Eu fiz isto!

Eu conquistei isto!

Eu materializei isto!

Serafim me diz que enquanto eu não me sentir totalmente dona deste lugar, estarei sendo invadida, pelas frestas e brechas abertas que eu deixo.

Eu!

Com meu arco e flecha certeiros,

o meu cocar branco, que cresce a cada dia,

materializei este lugar para mim.

Eu, xamã forte e altaneiro, do clã da Leoa

filho da águia e de Serafim.

Eu fiz isto!

Arrow!

Agora preencho todo este lugar com ondas da minha energia que se expressam no meu canto e na minha dança. Minha assinatura vibratória vibra e preenche todo o espaço deste lugar.

Eu xamã altaneiro tomo posse da matéria e vida deste lugar.

Em nome do meu povo eu afirmo:

Este Lugar me pertence.

Como eu pertenço a ele.

Sangue e vida!

 

Tomo posse de todo este Lugar que nos foi destinado!

 

É como uma Reserva.

É preciso ter a posse legal e energética, para poder oferece-la à Vida e à Liberdade de todos os Seres.

Escuto: “Você precisa expressar a tua voz”!

Vejo uma rolha sendo retirada do fundo da minha garganta.

Ela sai como uma rolha de champanhe. Salta fora!

Agora estou livre!

Esta rolha sai pela minha boca e se dissolve em contato com o ar.

Penso: não preciso mais dela!

Agora tenho consciência do meu profundo direito de ser eu mesma e ser respeitada por isto.

Aquilo que eu sentia como constrangimento na garganta, percebo agora como força concentrada.

Que se materialize o Grande Ilê

Se materialize o Grande Ilê

Seja materializado o Grande Ilê *4

A força concentrada desce do laríngeo até o chacra básico e puxa a corda do arco.

A flecha foi lançada com um bilhete nela:

Seja materializado o Grande Ilê.

Começo a ouvir um ponto de Xangô. *5

Serafim diz: “um guerreiro vê onde a sua flecha foi parar”

Olho e vejo uma “mão celestial” que toma esta flecha e emite de volta uma energia multicor.

raios de luz multicoloridos

Penso nos Arcanjos e Serafins.

Que assim seja!

Uma fumaça sagrada envolve todo o lugar.

Sinto a presença da linha dos Elegbaras e agradeço. *6

 

Digo para Serafim: hoje foi tudo muito confuso!

Ele me diz que nada foi confuso. “Quando reler suas anotações, entenderá”.

Ouço atabaques.

Serafim me diz que por hoje podemos terminar.

“A Iniciação vai pelo meio. Temos ainda muito para caminhar”.

Me despeço de Serafim, com muita gratidão.

Saravá!

 

Notas:
*1 – Silvestre é o nome de uma das entidades que incorporo nos rituais de Umbanda. Vem na linha dos Boiadeiros. Entendemos que esta linha nos ensina a lidar melhor com a natureza instintiva que existe em nós, nas outras pessoas e nos animais.
*2 – Nesta Iniciação e em todos os meus contatos com as diversas dimensões espirituais, sou tratada como homem e como mulher. Entendo que nestas dimensões a divisão em gêneros já foi transcendida.
*3 – Ilê – palavra ioruba que significa morada. A chácara onde moro chama-se Ilê de Aroni. Em meu coração, carinhosamente a chamo simplesmente de Ilê.
* 4 – Grande Ilê – É a dimensão espiritual do Ilê. Muito mais ampla do que o próprio Ilê.
* 5 – Xangô – Um grande Orixá! Arquétipo do Reino Mineral. Ligado às rochas e às pedras, por isto tem, também, o sentido de cristalização, materialização.
* 6 – Elegbara – Orixá também conhecido como Exu. Na tradição afro-brasileira é o mensageiro encarregado de levar os pedidos dos homens aos deuses (Orixás), e trazer  Suas respostas. Invocação e Evocação.

Crédito do áudio: Nheen’g. Kaká Werá. M&B mantramix. Faixa 8 do CD Porã-Hei.

Autor

O Caminho Espiritual sempre foi meu foco de interesse na vida adulta: estudo, reflexão, meditação, autoconhecimento, crescimento e transformação pessoal. Partilhar o que encontramos nesta jornada também é uma exigência do Caminho. Por isto estou aqui.

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