Canais de luz

Dia 4

Canais de luz


Há alguns anos, quando medito, escuto uma voz interior que sempre entendi como sendo o meu Eu Superior.
Começo a meditação neste dia aflita e angustiada com questões da minha vida pessoal que preciso resolver.
Sei que há uma parte de mim que não tem confusão nenhuma e que consegue ver e entender toda a situação de forma absolutamente cristalina.
Pergunto ao meu Eu Superior: esta parte é tu?
Ele responde:
Sim. Eu Sou.
Deixe que todas as partes do teu Ser se reúnam aqui.
No aqui e agora deste Lugar.
Sim.
A maravilhosa vibração do coração tudo cria. Tudo integra e ilumina.
Se acalme!
Deixe que a integração se faça e ela se fará.
Deixe que tua consciência se reúna àquela parte de ti mesma que permaneceu na Cabana de Cura.
Respondo: sim!

Imediatamente estou lá.
Abro os olhos dentro da cabana.
Que deliciosa luz se filtra aqui.
É um dia de sol delicado.
Estou deitada. Acho que acabei de acordar e vejo a luz que se filtra pelas frestas da cabana.
A temperatura é tépida e eu estou deitada sobre a terra. Tenho o emplastro de turmalina verde moída sobre o coração.
Não há pressa aqui.
Apenas abro os olhos e aprecio toda esta linda luminosidade.
É muito bom estar aqui e ser curada, receber cuidados, como num roncó*.
Entram agora minhas amigas gnominhas e algumas das minhas irmãs indiazinhas.
As gnominhas são azuis e saltitantes.
Vem trabalhar as vibrações do meu corpo. Os canais de luz.
Há algo no meu plexo solar. Um sol mesmo. Uma esfera dourada, que elas friccionam com um “pano” dourado, de forma a ativá-lo mais.
A luz da esfera aumenta. Emite mais energia e esta energia faz vibrar e como que acordar todo o meu corpo de luz (não estou num corpo físico).
Estou mais vitalizada agora.
Parece que o meu corpo acordou.
Posso me sentar.
Elas agora trabalham em meus canais energéticos ao longo da coluna.
São vermelho e azul nas laterais e dourado no meio.
Percebo a luz dourada subindo (pelo canal central) e se espalhando por toda a minha cabeça, seguindo por dentro de canais (como se fossem as artérias e vasos do sistema circulatório).
Ao mesmo tempo, uma luz azul se acende em minha garganta. O chacra laríngeo vibra num tom de azul turquesa.
Agora o chacra do coração se acende na cor vermelha e completa um quadro com o dourado do plexo solar e o turquesa do laríngeo.
Toda a minha cabeça vibra no dourado que circula pelos “canais de irrigação”.
Elas me dizem que é assim que despertamos aqui depois de um processo de cura.
Elas estão curando meu corpo de luz e essa cura chegará também ao meu corpo energético e ao corpo físico.
É preciso que eu tenha paciência e aguarde todo o processo acontecer.
Me dizem que eu ficarei 21 dias neste roncó.
E que eles serão os melhores 21 dias de minha vida.
Riem!
Ao fundo da cabana vejo as índias que estão em pé olhando.
Algumas se agacham agora e sorriem.
São 4 irmãs. Também são minhas irmãs.
Sorriem para mim.
Dizem que estarão sempre por perto, sempre comigo.
Também já estiveram deitadas aqui e dizem que tudo isto é muito bom.
Uma se aproxima e me dá uma cuia de leite.
Não é leite animal.
É leite da Terra, elas dizem, e riem.
Tomo a cuia de leite e deito novamente.
Deito numa grande folha verde (talvez de bananeira).
Há muitas folhas à minha volta e não preciso saber que tipo de folhas são.
(O ego questionador deu uma trégua! Ótimo!)
O cheiro é bom. Quero apenas ficar. Estar.
As gnominhas já se foram.
As índias saem agora.
Mulheres!
Mulheres que cuidam de mim, penso com gratidão.
Fecho os olhos e me entrego ao ventre da Mãe*.

Saravá!*
Eu sei e Eu Sou

 

NOTAS

*Roncó – quarto sagrado. Onde são recolhidos iaôs (iniciados ou iniciantes) que estão na condição de receber ensinamentos. Termo yorubá que numa tradução literal significa: Ensinando o caminho.
*Mãe – Mãe Terra, Gaia.
*Saravá – saudação dos Umbandistas. Significa saudar ou salvar (no sentido de saudação).

Autor

O Caminho Espiritual sempre foi meu foco de interesse na vida adulta: estudo, reflexão, meditação, autoconhecimento, crescimento e transformação pessoal. Partilhar o que encontramos nesta jornada também é uma exigência do Caminho. Por isto estou aqui.

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