O Método

O Método


Meditações mais longas e mais profundas, e esta nova habilidade de manter um estado alterado de consciência desempenhando atividades cotidianas, foram decisivas para que anos mais tarde eu vivesse o processo da Iniciação.

Naquela época eu não sabia disto, é claro. Apenas vivia o momento…
Meditações mais longas, profundas e ricas, despertaram em mim a necessidade de registrar estas vivências por escrito, porque percebi que ao voltar para a consciência de vigília, muito do vivido se perdia.

Criei então o hábito de, logo depois das Meditações, pegar um caderno e escrever as memórias do vivido.
Escrevia, e horas depois relia o que havia escrito. Não me lembrava nem da metade do que havia escrito!!!

Isto me fez perceber, com clareza, a dificuldade de comunicação entre as duas consciências: a de vigília e a meditativa e, também, a dificuldade que a consciência de vigília tem de reter e integrar experiências e informações às quais a consciência meditativa tem acesso.

Ao reler as anotações, novos entendimentos se apresentavam.
Experiências que ao serem vividas tinham me parecido tolas ou desimportantes, quando relidas, ganhavam novo sentido e profundidade
Percebi que a integração entre os dois planos de consciência: consciência meditativa e consciência de vigília, era muito enriquecedor.

O MétodoComecei então a tentar escrever enquanto meditava, sem perder a conexão. De início tive algumas dificuldades.
O desafio era conseguir manter as duas consciências presentes simultaneamente: uma que “pensava” por imagens, sensações e compreensão instantânea, e a outra que pensava por palavras.

Já tinha vivido algumas experiências pontuais de canalização: poemas inteiros brotavam prontos, sem valor literário, mas repletos de informações.
Agradecia e utilizava as informações assim recebidas, mas nunca me ative ao processo.

Nesta nova fase de vida, Meio sem perceber, fui desenvolvendo um método: sentava para meditar com caderno e caneta na mão. Assim que percebia que um outro estado de consciência havia se instalado, começava a escrever aquilo que estava “pensando”, sentindo, experimentando, vendo ou ouvindo.
O desafio aqui era conseguir que o ego ficasse quietinho! Este palpiteiro contumaz ficava comentando, avaliando e, pior de tudo, censurando aquilo que eu estava vivendo! À medida que ia me habituando ao processo de escrever enquanto meditava, vi que a atividade da escrita era uma forma eficaz de manter o ego ocupado com alguma coisa. Desta forma, ele interferia menos no processo.

Fui também desenvolvendo a disciplina de escrever o que viesse, sem censura, e para sossegar meu ego dizia: ninguém vai ler isto! Fica só entre nós. Rsrsrs. Isto era o que eu pensava na época. Honestamente!

Disciplina, prática e persistência desenvolvem qualquer habilidade.

Hoje, para mim é muito mais fácil manter as duas consciências ativas de forma concomitante.

Atualmente também consigo ir ao banheiro, tomar água ou mesmo comer alguma coisa, sem perder a conexão. Habilidade importante, quando, em algumas ocasiões a meditação se prolongou por quatro ou cinco horas (como aconteceu em alguns dias da Iniciação).

Como disse no início, este método e o desenvolvimento destas habilidades, foram fundamentais para a vivência e o registro do processo da Iniciação.

Sem este registro, eu não poderia estar agora partilhando esta experiência com vocês.

Autor

O Caminho Espiritual sempre foi meu foco de interesse na vida adulta: estudo, reflexão, meditação, autoconhecimento, crescimento e transformação pessoal. Partilhar o que encontramos nesta jornada também é uma exigência do Caminho. Por isto estou aqui.

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